Por Osvaldo Simonelli
Se você é médico(a) descubra o que fazer ao ser denunciado no CRM. Entenda seus direitos, como agir na sindicância e quando procurar apoio jurídico especializado.
Ter que responder a uma denúncia ética no Conselho Regional de Medicina (CRM) é uma situação delicada, que gera insegurança e pode, em última análise, até mesmo prejudicar a reputação profissional. Por isso, é essencial agir com cautela e estratégia desde os primeiros passos. Neste artigo, você entenderá o que é uma sindicância médica, como ela funciona e o que fazer ao ser intimado(a) pelo CRM.
Assim que tomar ciência da denúncia, o mais importante é manter a serenidade. Não envie respostas por impulso, nem comente o caso em redes sociais ou entre colegas. Realizar uma denúncia ao CRM é um direito de qualquer paciente, por isso agir de maneira inapropriada é o pior caminho. Qualquer informação fornecida de forma equivocada poderá ser usada para justificar a abertura de um processo ético-profissional.
O CRM não está adstrito ao que o paciente denunciou. Portanto, quando o médico age de forma não estratégica pode, inclusive, levar à abertura de um processo ético por outro motivo, ainda que não especificado na denúncia.
Contar com assessoria jurídica especializada é indispensável. Um advogado com experiência em sindicâncias éticas dentro do CRM poderá:
Verifique o prazo para manifestação, lembrando que este prazo não é contado do recebimento da intimação, mas da juntada dela nos autos da sindicância.
Muita atenção: atualmente, os Conselhos de Medicina têm feito intimações por e-mail e WhatsApp. Assim, ao receber este documento e confirmar o seu recebimento, o funcionário do CRM irá certificar e o prazo começará a correr. Se possível, já acione o seu advogado (especialista) no exato momento em que receber a comunicação do CRM.
Segundo o Código de Processo Ético-Profissional (CPEP/2022), trata-se de uma fase investigativa, sumária e inquisitória. Ou seja:
Mesmo em fase investigativa, o médico tem garantidos os seguintes direitos, principalmente o de acessar aos autos e documentos do processo.
Se for intimado a se manifestar (e nem sempre isso acontece) a peça escrita, que deve ser elaborada com auxílio jurídico, deve conter:
Atenção: o principal é demonstrar que não há, sequer, indícios de infração ética. Esta é a estratégia central.
O desfecho da sindicância poderá resultar em:
Mesmo com uma atuação estratégica, o CRM pode entender que há indícios para a abertura do processo, e iniciar uma nova fase.
Neste caso há pontos ainda mais importantes a serem analisados, sendo que um advogado especialista, principalmente se já tiver atuado na fase de sindicância, saberá analisar. Mas, este será tema de outro artigo.
Passar por uma sindicância no CRM pode ser desafiador, constrangedor e gerar desconforto. Mas, você não é o primeiro nem será o último. O acesso ao CRM tem sido cada vez mais frequente por pacientes e outros órgãos (tais como: Ministério Público, Judiciário etc). Entretanto, com informação e orientação jurídica especializada, é possível conduzir o processo com segurança e tranquilidade. A atuação técnica aliada à defesa ética é o caminho mais sólido para preservar sua carreira médica.
Se você é médico e está enfrentando uma sindicância ética, saiba que é possível agir com estratégia e segurança jurídica. Mantenha-se informado e proteja sua carreira.
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O Prof. Me. Osvaldo Simonelli é advogado, formado em 1998, pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo.